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Você já ouviu falar da Hepatologia?

Postado em 10 de maio de 2017


No mês de maio a atenção da Cabergs Saúde é voltada para as hepatites virais. É importante estar alerta aos sintomas e formas de contágio dessas doenças, que costumam ser silenciosas. Aqui no Blog Vida em Equilíbrio, já mostramos os principais sinais e formas de prevenção de cada um dos 5 tipos de hepatite - A, B, C, D e E (https://goo.gl/vTiMBY).

É essencial, ao perceber qualquer um dos sintomas dessa doença, procurar um médico especializado. A hepatologia é o ramo da medicina responsável pelo estudo e tratamento das doenças relacionadas ao fígado, dentre elas a hepatite. O farmacêutico Marcelo S. Samuel é coordenador de estudos clínicos do Grupo de Hepatites do Prof. Hugo Cheinquer - Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Em entrevista para a Cabergs, ele explica um pouco sobre o ramo da Hepatologia e os tipos de hepatites virais e não virais.

Blog Vida em Equilíbrio: Quais as principais funções exercidas pelo fígado, pela vesícula biliar, pela árvore biliar e pelo pâncreas sobre o organismo? A hepatologia atua sobre todos estes órgãos?

Marcelo Samuel: As principais funções do fígado são: metabolização dos nutrientes digeridos (gorduras, proteínas, glicose); metabolização das substâncias tóxicas; produção de bile; produção de substâncias essenciais ao organismo (proteínas importantes como albumina e fatores de coagulação), além de produzir, armazenar e metabolizar vitaminas e ferro, entre outras; destruição de bactérias e outros germes.

A vesícula biliar armazena bile, que emulsifica gorduras e neutraliza ácidos na comida parcialmente digerida. Ela é lançada apenas quando o alimento que contém lipídeos (gordura) entra no trato digestivo, estimulando a secreção de colecistoquinina (um hormônio gastrointestinal).

Depois de ser armazenada na vesícula biliar, a bile se torna mais concentrada do que quando saiu do fígado, aumentando sua potência e intensificando seu efeito nas gorduras. A maior parte da digestão ocorre no duodeno.

A árvore biliar é o termo anatômico dado à via pela qual a bile é secretada pelo fígado para o duodeno. Este é referido como árvore porque inicia com muitos ductos pequenos que terminam no ducto biliar comum.

O Pâncreas tem por função secretar o suco pancreático produzido com a finalidade de digerir o alimento e secretar os hormônios (insulina, glucagon e somatostatina) que regulam os níveis de glicose sanguíneos.

BVE: Quais as diferenças entre as hepatites decorrentes de complicações no fígado e as hepatites virais?

MS: A hepatite é uma doença que surge quando há inflamação do fígado, células hepáticas, denominadas hepatócitos. Muitas doenças e complicações podem causar essa inflamação, entre elas, o uso de drogas, medicamentos, excesso ou uso crônico de álcool, produtos químicos, doenças autoimunes, infecções por diversos tipos de vírus ou acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática).

BVE: Quais são as principais formas de contágio das hepatites virais?

MS: As principais formas de contágio das hepatites virais são:
- Hepatites dos tipos A e E: contaminação através de água, condições inadequadas de saneamento básico e alimentos contaminados devido a condições inadequadas de higiene.
- Hepatites do tipo B, C e D: contato com sangue, através do compartilhamento de objetos perfurocortantes (agulhas ou lâminas de barbear) utilizados em transfusões sanguíneas no passado, estúdios de tatuagem e piercing, procedimentos odontológicos e cirúrgicos; procedimentos de manicure e pedicure (que não utilizam objetos descartáveis ou seguindo procedimentos de biossegurança); relações sexuais desprotegidas.

BVE: No caso das hepatites não virais, quais são as principais causas e sintomas?

MS: As hepatites não virais podem ser causadas pelo uso de drogas, medicamentos, excesso ou uso crônico de álcool, produtos químicos, doenças autoimunes ou acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática).
Os sintomas podem ser icterícia (amarelamento de pele e olhos), fezes claras, urina escura, coceira difusa na pele, dor abdominal, mal-estar e insuficiência hepática aguda (hepatite fulminante).

BVE: Além das hepatites e da cirrose, quais outras patologias hepáticas podem acometer o fígado?

MS: As consequências da hepatite (inflamação das células hepáticas) podem levar, de acordo com a causa relacionada, à doença hepática gordurosa não alcoólica, cirrose e carcinoma hepatocelular.

BVE: De que forma podemos prevenir doenças hepáticas virais e não virais?

MS: As formas de prevenção quanto às doenças hepáticas, virais ou não, são:
- Bons hábitos de higiene, principalmente aqueles relacionados aos alimentos;
- Alimentação saudável, evitando o abuso do álcool, gorduras e doces;
- Uso de preservativos nas relações sexuais;
- Imunização, a partir das vacinas disponíveis prevenindo as Hepatites A e B;
- Preferência por serviços de manicure, pedicure, piercings e tatuagem que trabalhem com a preocupação do uso de materiais descartáveis. No caso de reutilização de materiais, que os profissionais garantam a esterilidade dos mesmos com processos de esterilização e autoclavagem eficientes quanto à eliminação de possíveis fontes de contaminação.

BVE: De que maneira posso saber se estou com alguma complicação hepática, tanto no fígado quanto na vesícula biliar, árvore biliar e pâncreas?

MS: A determinação da causa de qualquer complicação pode ser realizada através de exames bioquímicos, exames sorológicos de triagem e exames de imagem aliados à anamnese clínica do estado do paciente pelo médico assistente.

BVE: Quais as diferenças de sintomas entre doenças agudas e doenças crônicas do fígado?

MS: Nas doenças hepáticas agudas o paciente pode apresentar icterícia, fezes claras, urina escura, coceira difusa na pele, dor abdominal, mal-estar e insuficiência hepática aguda (hepatite fulminante). Os pacientes com hepatite crônica costumam passar anos assintomáticos, desenvolvendo sintomas apenas quando já há sinais de cirrose.

BVE: O uso de suplementos alimentares e vitamínicos pode sobrecarregar a metabolização do fígado? Como evitar isso?

MS: A metabolização hepática pode ser sobrecarregada por alimentos, medicamentos, suplementos alimentares e vitamínicos. A sua utilização não é contraindicada, no entanto, deve ser avaliada a sua necessidade caso a caso e monitorada clinicamente com o auxílio de exames complementares – análises laboratoriais ou de imagem – tanto em um indivíduo saudável quanto em um indivíduo comprometido hepaticamente. O limite entre o medicamento que pode curar e causar algum dano é muito estreito, mesmo quando estamos com o metabolismo hepático em perfeito funcionamento. O controle do adequado funcionamento do organismo deve ser verificado a todo o momento e, não apenas, quando percebemos que algo pode não estar bem conosco.

A prevenção é sempre a melhor forma de combater a hepatite. Consulte um médico e faça os exames regularmente. Cuide-se!

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