Udo de Drogas e Adolescência

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Por definição, segundo a Organização Mundial da Saúde, droga é qualquer substância que ao ser introduzida no organismo altera o funcionamento de alguma estrutura dele. Mas o senso comum encarregou-se de designar “drogas” um conjunto de substâncias que atuam no sistema nervoso central (SNC), pois alteram as sensações, o humor, a consciência ou outras funções psicológicas e comportamentais. Essas são chamadas substâncias psicoativas.

Vem interessando à comunidade as maneiras ou soluções para lidar com o assunto que nos dias de hoje tornou-se um grave problema e que afeta todo o tecido social. Têm-se observado um aumento no consumo dessas substâncias de maneira geral, principalmente entre jovens.

O primeiro contato com as drogas, geralmente, ocorre na adolescência. Segundo alguns autores a adolescência é uma fase de transição, outros a definem como um momento de crise. A adolescência pode ser definida como uma etapa da vida na qual o indivíduo procura estabelecer uma identidade adulta.

O que impulsiona o jovem a usar drogas?

Sabe-se que não há um fator preponderante para o uso ou abuso de drogas. Diante disto, a literatura traz como multifatorial a origem do problema, o que significa dizer que não há uma razão pela qual um jovem venha a fazer uso de drogas, mas sim inúmeros fatores que favorecem o surgimento deste comportamento.

Eis alguns motivos mais comuns que levam o jovem a experimentar drogas: Curiosidade, pressão do grupo de amigos, necessidade de identificação com o grupo, dificuldade para lidar com problemas próprios da idade, busca de coragem ou desinibição para enfrentar situações novas, comportamento de risco, desinformação, dificuldade em dizer Não, prazer causado pela droga, etc.

Alguns indícios para identificar se o jovem está usando drogas:

  • Mudança brusca ou gradual no comportamento.
  • Falta de motivação para realizar tarefas do dia-a-dia que antes eram executadas sem dificuldades.
  • Queda no rendimento escolar.
  • Alteração do humor com períodos de intensa irritabilidade, hostilidade e às vezes agressividade.
  • Alterações no padrão do sono e do apetite.
  • Uso de figuras, desenhos, adesivos estampando drogas ilícitas.
  • Dificuldade no relacionamento familiar.
  • Desaparecimento de objetos de valor.
  • Mudança de amigos.

    Experimentação: caracterizado pelo primeiro uso, geralmente motivado pela curiosidade ou pressão do grupo.

    Uso: Utilização de maneira eventual. A substância não adquire significado maior na vida do indivíduo. Pode expor a saúde a situações de risco, mas sem alterar a rotina laboral, social ou familiar.

    Abuso: Uso de forma sistemática; os indivíduos começam a ter prejuízos no seu dia-a-dia (usar tempo e energia para obter droga, não realizam tarefas e compromissos a contento estudar, trabalhar, relacionar-se.) Geralmente envolvem-se em problemas.

    Tipos de Drogas

    Existem critérios para classificar as substâncias. Pode ser de acordo com seus efeitos - depressoras, estimulantes ou perturbadoras. Ou ainda sob a visão da legalidade - lícitas ou ilícitas.

    As drogas depressoras lentificam o funcionamento do cérebro deixando o indivíduo mais “relaxado”. (álcool, tranqüilizantes e derivados do ópio). Os estimulantes aceleram o funcionamento do cérebro, produzindo uma sensação de alerta, maior energia e agitação (cocaína, nicotina, cafeína, etc). As perturbadoras desordenam o funcionamento do cérebro e seus efeitos são alucinações e confusão mental, (maconha, Lsd, alguns Chás).

    Sob o ponto de vista legal, as drogas lícitas possuem permissividade para serem vendidas e compradas, portadas e consumidas (álcool, tabaco, etc.). Porém, as ilícitas não podem ser comercializadas, portadas e consumidas, pelo menos com a permissão das autoridades (maconha, cocaína, crack, etc.).

    Tratamento

    O tratamento para uso de drogas, abuso ou dependência pode incluir:

    Psicoterapia, medicação, ingresso em grupos de auto-ajuda. O tratamento pode ser ambulatorial ou com internação hospitalar dependendo da gravidade do problema. Deve sempre que possível ocorrer com uma equipe multidisciplinar (psicólogos, médicos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais; etc);

    O tratamento geralmente é sustentado por três princípios fundamentais: a) Abstinência; b) reabilitação física, psicológica e social; c) prevenção de recaídas. A abstinência é o objetivo básico do tratamento, ou seja, não usar drogas. A reabilitação enfoca a aquisição de novos hábitos de vida, como freqüentar ambientes onde não é consumido drogas, retomar amizades sadias, atividades laborais e recreacionais. A prevenção de recaídas significa identificar as situações de risco (locais, horas, companhias, etc), planejar e treinar os indivíduos e desenvolver o aprendizado para o enfrentamento destas situações. Diante disto, a idéia fundamental é ajudar o indivíduo a eliminar comportamentos disfuncionais e adquirir comportamentos saudáveis.

    Dr. Felipe Puricelli Faccini
    Cirurgião Vascular - Credenciado da CABERGS