Febre Amarela

A Febre Amarela (FA), arbovirose causadora de morbidade e alta letalidade em regiões tropicais da África e das Américas, é uma doença febril aguda, de curta duração, cujo agente etiológico é um arbovírus (Flavivírus). Primatas Não Humanos (PNH), sobretudo bugios, gênero Alouatta, são os principais hospedeiros do vírus amarílico. Os vetores mais importantes, na América Latina, são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Na FA Silvestre, ocorre infecção acidental quando uma pessoa susceptível interfere no ciclo enzoótico natural e infecta-se ao penetrar na mata e ser picada por mosquito infectado.

No Brasil, nos últimos anos a FA Silvestre vem se manifestando fora de seus limites habituais de ocorrência, na forma de epidemias na região sudeste e Centro Oeste e epizootias em PNH na região sul (Rio Grande do Sul), com reativação de focos antigos, silenciosos há várias décadas (Bahia, São Paulo, Paraná).

No Rio Grande do Sul, ocorreu transmissão da FA no passado, sendo que os últimos casos humanos datam de 1966, quando houve vacinação em toda a região noroeste.

Em maio de 2001, a 12ª CRS notificou a ocorrência de morte de macacos nos municípios de Garruchos e Santo Antônio das Missões. Constatou-se FA como causa da morte. Na mesma localidade, foi isolado o vírus amarílico em mosquitos Haemagogus leucocelaenus. O Rio Grande do Sul, até então área indene em relação à FA, passou a ter a sua região noroeste (43 municípios) classificada como área de transição, com vacinação da população desses municípios e viajantes. Em novembro de 2002, a 4ª CRS comunicou a existência de um bugio doente no município de Jaguari, o animal veio a óbito. Feita a necropsia, análises comprovaram FA, determinando vacinação nos municípios de Jaguari, Mata e limítrofes, totalizando 9 municípios.

Durante o ano de 2002 foram adquiridos equipamentos para captura de PNH. A vigilância se estruturou de duas formas principais: vigilância ativa e vigilância passiva.

A vigilância ativa consiste basicamente em capacitação das CRS`s no manejo e captura de PNH e realização de inquérito sorológico. Os bugios são capturados utilizando dardos anestésicos. Amostras de sangue e soro são encaminhadas para análise. Até dezembro de 2008 foram capturados 212 macacos de duas espécies Alouatta guariba clamitans e Alouatta caraya em vários municípios do Estado.

A vigilância passiva se baseia em notificação da ocorrência de morte de macacos por parte do município, o que desencadeia uma investigação no local.

A Divisão de Vigilância Ambiental prossegue no monitoramento das populações de primatas não humanos. Paralelamente são realizadas capturas da entomofauna para identificação das espécies de vetores da FA Silvestre para monitoramento e tentativa de isolamento viral.

Entre outubro e dezembro de 2008 foram notificadas mortes de primatas em 32 municípios da região noroeste do Estado, sendo que em 12 deles foi diagnosticada FA como causa da morte dos animais. Ações de vacinação foram desencadeadas e a vigilância de novas epizootias foi reforçada.

Mais detalhes:
» Capacitação em Diagnósticos e Manejo Clínico de Febre Amarela - Porto Alegre -12/02/2009
» Boletim Febre Amarela - 22/04/2009
» Informe Técnico Complementar Vacinação Febre Amarela - 09/04/09
» Informe Técnico e Protocolo Evento Adverso Vacina Febre Amarela - 04/12/08
» Locais de Vacinação no Rio Grande do Sul
» Nota Técnica Epizootias de Primatas Não Humanos por Febre Amarela no RS - 19/11/2008
» Nota Técnica nº 2 Epizootias de Primatas Não Humanos por Febre Amarela no RS - 04/12/2008
» Nota Técnica Vacinação Febre Amarela para Áreas de Risco no RS - 04/12/2008
» Plano de Ação para Emergência de Febre Amarela no RS - 06/02/09
» Vacina contra a Febre Amarela - Indicações e Contra-Indicações - 15/04/2009
» Vacinação Contra Febre Amarela: Mapa e lista com Municípios da Área de Risco, RS - 2009

Fonte: Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul


Perguntas e Respostas Frequentes

O que é?

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África.

Qual o microrganismo envolvido?

O vírus RNA. Arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae.

Quais os sintomas?

Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).

Como se transmite?

A febre amarela é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. A transmissão de pessoa para pessoa não existe.

Como tratar?

Não existe nada específico. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer.

Como se prevenir?

A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.

A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem em áreas de risco para a doença (zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos).

Fonte: Ministério da Saúde